INFORMATIVO ERALDO CAMINHÕES

Modercarga: Um Programa Encalhado

Com taxa de juros altas e prazos que não interessam aos transportadores, o Modercarga não provocou nenhuma repercussão entre os principais interessados – carreteiros autônomos e corre o risco se transformar em mais um programa que ficou encalhado e não cumpriu sua missão.
Evilazio de Oliveira
Quando o governo federal lançou o Modercarga (Programa de Modernização da Frota de Caminhões), com a intenção de financiar R$ 2 bilhões, através do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico), muita gente não levou o assunto a sério e o programa recebeu muitas críticas do setor. Agora, com pouco mais de três meses do lançamento oficial, o BNDES vai reformular o programa na tentativa de atrair interessados. A proposta inicial era a de financiar a troca de caminhões novos ou usados, com até sete anos, com uma taxa de juros de 17% ao ano, prazo de até 60 meses e carência de três meses para equipamentos novos e de até 36 meses, com igual período de carência, para os usados. O financiamento seria de 70% do valor negociado do veículo.
No mês de julho, durante encontro com dirigentes de associações de carreteiros no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Modercarga tinha sido uma "decepção" e que a expectativa do governo era maior. Disse que o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan está à frente desses estudos e que o BNDES buscava uma forma de oferecer melhores condições para o programa.
Para a maior parte dos motoristas, o Modercarga continua sendo um assunto quase desconhecido – ou apenas um programa de marketing político como foi o Fome Zero - conforme avaliação do transportador gaúcho Sandro da Silva, 28 anos, dono da Ciclone – Transportes Rodoviários Ltda. Empenhado em manter a sua frota sempre atualizada, ele negocia direto com a concessionária os prazos e taxas de juros para a compra ou troca de seus caminhões. Até agora tem funcionado, afirma.
O carreteiro Fábio Possa, 27 anos, nove de profissão, faz parte de uma família de estradeiros: são sete irmãos no trecho, sem contar um oitavo que morreu em acidente na estrada. Ele é natural de Campestre da Serra/RS, localidade em que as melhores opções de trabalho para os homens são a lavoura ou a boléia. Conta que apenas dois de seus irmãos conseguiram comprar caminhões novos. Um deles juntou dinheiro e comprou um caminhão usado, mas não deu certo.
"Quem não pensa em ter o seu próprio caminhão"? Mas as financeiras pedem muitas garantias e os juros são muito altos, por isso continuo trabalhando como empregado de uma empresa. Viajo no trecho São Paulo e Nordeste", explicou. Fábio Possa já ouviu falar do Modercarga, mas se perguntarem não sabe nada a respeito e acha que é mais uma daquelas promessas do governo, nas quais ninguém acredita.
Outro carreteiro que nunca ouviu falar no Modercarga é Claudinei Liberalesso, 32 anos e há oito na profissão. Ele economizou um dinheiro e conseguiu comprar um Mercedes-Benz 81 trucado à vista e agora pretende trabalhar mais, fazer economia e comprar outro mais novo e não pretende fazer viagens longas por medo de assaltos. Apesar desse medo e das precauções, o pai dele, Cláudio Liberalesso, 56 anos, 25 de volante, foi assaltado e perdeu o seu velho caminhão Mercedes-Benz ano 73, quando retornava para casa, vazio. Ele diz que vai dar um jeito e comprar outro caminhão, mas sem entrar em financiamentos ou esperar pelo "Moder, o quê, mesmo?", pergunta
Para o catarinense Francisco Gomes Coelho, 40 anos, 23 de volante, a idéia de comprar um caminhão é antiga. Ele trabalha como empregado, dirigindo um Scania 98 bitrem no transporte de arroz do Sul para Goiás e Mato Grosso, e tem pouco tempo para ler jornal, ouvir rádio ou assistir televisão. Por isso, sabe pouco das coisas que acontecem na política ou na economia. Nunca ouviu falar no Modercarga, mas sempre que pode, procura informações sobre eventuais financiamentos, linhas de crédito e de juros.
"Mas para quem é pequeno tudo é mais difícil, pedem muita garantia e não dá para encarar", admite. Outro que não pensa em enfrentar o desafio de comprar caminhão é Carlos Fabiano, 31 anos de idade e oito de estrada. Atualmente ele transporta contêineres num Scania 97 para os portos de Itajaí ou Rio Grande, ambos no Rio Grande do Sul. Não quer saber nem o que é esse tal de Modercarga. Já teve caminhão próprio e não quer mais. "Dá muita despesa. É melhor trabalhar como empregado e ter um salário garantido no fim do mês" justifica Carlos Fabiano.
O paranaense Paulo César Queiroz, 35 anos e 14 de boleia, é empregado e transporta polietileno no Volkswagen 2003. Nunca teve um caminhão próprio e fica assustado com as condições de um financiamento e dos valores das prestações. Acha que é muito difícil manter o caminhão, pagar a mensalidade, todas as taxas, seguro, combustível e pedágios – considerando que o valor do frete é baixo. Por isso prefere trabalhar como empregado, recebendo mensalmente cerca de R$ 1.300,00. Nunca ouviu falar do Modercarga.
Também sem nunca ter ouvido falar do programa, o carreteiro Clério Witt, 26 anos, cinco de volante, não se arrepende do negócio que fez direto com uma financeira, para a compra do seu Mercedes-Benz 99. Viu o caminhão, gostou e negociou com os homens da financeira, com juros de 2,3% e prestação mensal de R$ 2.500,00. Ele conta que chegou a ver ofertas de financiamento com juros de 1,8% mas havia muita gente na fila de espera e as exigências eram muitas. Agora está feliz, com frete garantido do Pólo Petroquímico, em Triunfo/RS, para São Paulo, trabalhando como agregado de uma grande transportadora.
Jovane Vieira Queiroz, 50 anos, 31 de profissão, natural de Uber-lândia/MG, transporta cereais num bitrem que fazia parte de uma empresa da família. Com a dissolução do negócio, ele acabou comprando o caminhão e trabalha como autônomo. Se não fosse dessa forma, confessa que não teria condições de assumir um financiamento. Muito menos o Modercarga. Ele quer trabalhar duro por mais alguns meses, juntar um dinheiro e comprar outro caminhão, mas ainda não sabe de que maneira vai financiar um novo ou trocar o atual ano 93, já defasado, diz.
Viajando na linha Porto Alegre/Curitiba, Dani Emiric Castro, 46 anos, 25 de profissão, trabalha como empregado. Até dois anos atrás era dono de um Mercedes-Benz 1111, ano 77, mas teve de vendê-lo por causa das despesas. Logo conseguiu uma vaga de motorista para trabalhar com a certeza do salário garantido. "Agora consigo dormir sem perder o sono por não saber como pagar a prestação do caminhão, do pneu ou mesmo como abastecer para a próxima viagem. "Modercarga? Nunca ouvi falar", admite.
O presidente da Cooperativa dos Transportadores de Cargas de Uruguaiana (Cootranscau), de Uruguaiana/RS, Cladimir Rao, considera que comprar caminhão novo ou mesmo fazer a troca por um modelo mais atual é sempre arriscado. "Isso, em razão dos valores dos fretes e da concorrência cada vez maior por causa do grande número de caminhões que disputam o mercado", explica. Outra preocupação do carreteiro é em relação à necessidade de uma vistoria técnica rigorosa, que tire das estradas os veículos velhos e sem condições de trafegabilidade. "Não adianta incentivar a compra ou troca de caminhões enquanto não houver um programa efetivo de vistoria técnica", conclui.
Em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre/RS, o gerente da filial da Suvesa Ltda. – concessionária dos caminhões Scania –, João Batista, 44 anos e há 29 no setor de transportes, acredita que a efetiva implantação do Modercarga seria um bom negócio para todos. "Mas, pelo que sei, nenhum agente financeiro está trabalhando com esse programa, acho que ainda não saiu do papel", disse.
Modercarga
Desde o lançamento oficial do Modercarga (Programa de Modernização da Frota de Caminhões), em maio deste ano, e com um orçamento de R$ 2 bilhões posto à disposição pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para o financiamento de caminhões novos ou usados e com idade até sete anos – não apareceram interessados nessas linhas de crédito e o programa será revisto para a correção de eventuais distorções técnicas.
O programa foi lançado pelo presidente Lula da Silva em dezembro passado, com a intenção de criar mecanismos para reduzir a idade média dos mais de 1,3 milhão de veículos que rodam no País, de 18 para 10 anos. O lançamento teve até festa, com a presença de 16 ministros, e com a promessa do presidente que este seria "um presente de Natal muito importante para micros e pequenos empresários, um presente extraordinário porque ele vai poder, a partir de agora, procurar as concessionárias e começar a fazer negócio". Faltou dizer, no entanto, como seria resolvido o "fundo de aval" para tomada de empréstimo por parte do autônomo, porque o próprio bem não pode ser oferecido como garantia.
Depois do bom resultado do Moderfrota – programa semelhante destinado à agricultura – o novo programa, no entanto, não chegou a entusiasmar o setor. Questões referentes ao "fundo de aval" e a taxa de juros oferecida, de 17%, não convenceram. Muitos executivos de empresas montadoras afirmavam que o mercado tinha melhores condições de financiamento e com taxas mais compatíveis. Alguns chegaram a classificar o programa de "ridículo" e que "não tem razão de ser do jeito que está". A taxa de juros é de 17% ao ano, incluindo a remuneração do agente financeiro. O Modercarga financia até 70% do valor do bem. De acordo com os executivos da indústria, para atrair o autônomo, o Modercarga deveria financiar pelo menos 80% do bem, oferecer uma carência maior e juros menores.
Outro detalhe seria um eventual desinteresse dos agentes financeiros, em razão da remuneração e do grau de risco – preferindo continuar trabalhando com outras linhas de crédito, inclusive o Finame, e negociando diretamente com os seus clientes, em busca de alternativas que satisfaçam a ambos.
Fonte: Revista O Carreteiro Edição 360

DNIT conclui habilitação de empresas para BR 101

A Comissão de Cadastro e Licitação do DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) finalizou na noite de segunda-feira (27) a fase de habilitação das empresas que concorrem ao gerenciamento ambiental das obras de duplicação da BR-101. Foram habilitados os consórcios formados por Concremat, Tecnologo e CNEC, e o constituído por Engevix, Appe e Andrade Canelas. A Corpore consultoria e Participações foi inabilitada.
O prazo para possíveis recursos encerra-se em cinco dias. Se houver recurso, a comissão fará o respectivo julgamento, iniciando em seguida a análise técnica e dos preços apresentados pelos concorrentes. Nesta terça-feira (28), iniciou-se o recebimento de propostas para a supervisão das obras, que deverá ter quatro vencedores - um para cada lote, sendo três em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul.
Fonte: Site "Canal do Transporte"

Universidade de Brasília apresenta pesquisas sobre biodiesel

Pesquisadores, professores, estudantes, especialistas de órgãos públicos e parlamentares participam nesta terça-feira (28), às 8h15, no auditório da Reitoria da UnB (Universidade de Brasília), do 5º Encontro do Projeto Café com Ciência, cujo tema será "Biodiesel: Uma alternativa de Energia Renovável". Promovido pelo Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação da instituição, o encontro mostrará as pesquisas desenvolvidas pela universidade sobre o biocombustível.
A palestra dos pesquisadores Kleber Carlos Mundim e João Nildo de Sousa Vianna abordará os aspectos fundamentais do uso do biodiesel no Brasil, como a caracterização, produção, utilização e sustentabilidade da cadeia produtiva. O trabalho envolve o Instituto de Química, onde são estudados os processos tecnológicos da utilização dos diversos óleos vegetais, como os derivados da soja, girassol e mamona, além do Departamento de Engenharia Mecânica e o Centro de Desenvolvimento Sustentável, que investigam o desempenho do biodiesel e as questões de sustentabilidade.
Alternativa - O governo federal pretende autorizar a entrada do biodiesel no mercado nacional de combustíveis até o final deste ano. O produto poderá ser adicionado ao óleo diesel mineral na proporção de até 2%, sem comprometer a garantia dos motores dos veículos. O Brasil dispõe de um grande número de matérias-primas para esse fim, como soja, girassol, mamona e dendê. O Governo espera que a entrada do novo combustível no mercado nacional permita a redução da importação do diesel, que hoje corresponde a 9% do consumo. Além disso, o biodiesel deve apoiar o desenvolvimento econômico do meio rural com a geração de empregos e renda e incrementar o desenvolvimento da indústria nacional de pesquisa e equipamentos.
Fonte: Site "Canal do Transporte"